sexta-feira, 18 de abril de 2014

Deficiência Múltipla e Surdocegueira

A Deficiência Múltipla

A Deficiência Múltipla refere-se à associação de duas ou mais deficiências, conforme o Decreto nº 5.296, art. 5º (BRASIL, 2004).
A deficiência múltipla é a  deficiência auditiva ou a deficiência visual associada a outras deficiências (mental e/ou física), como também a distúrbios neurológicos, emocionais, linguagem e desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional, dificultando a sua  autossuficiência.
A caracterização dessa deficiência se dará de acordo com o nível de desenvolvimento e de alteração de cada ordem e a necessidade especial condizente dessa pessoa. (GODÓI, 2006, p.11).
Algumas características apresentadas por crianças com Deficiência Múltipla, conforme
Nascimento (2006, p.11):
·         dificuldade na abstração das rotinas diárias, nos gestos ou na comunicação;
·         dificuldades no reconhecimento de pessoas do seu cotidiano;
·         movimentos corporais involuntários;
·         respostas mínimas a estímulos causados por barulhos, toques, entre outros.
Além dessas características, devemos considerar também os fatores, como:
·         movimentos estereotipados e repetitivos;
·         não antecipação das atividades;
·         rir e chorar sem um motivo aparente;
·         resistência ao contato físico;
·         distúrbios de sono.
Causas
·         Icterícia (pele  amarelada)
·         Otite médica crônica (infecção  do ouvido)
·         Falta de oxigênio
·         Sarampo
·         Traumatismos
·         Glaucoma
·         Tumor cerebral
·         Toxoplasmose
·         Catarata
·         Casamentos consanguíneos

De acordo com informações da Associação de Prevenção, Atendimento Especializado e Inclusão da Pessoa com deficiência (2010) cerca de 1% da população brasileira tem deficiência múltipla.

A prevenção, conforme Carvalho (2000, p.56), está dividida em três grupos:
·         Primária: associa-se a programas de combate às doenças (como vacinações),
acidentes, ao uso de drogas e álcool, como também a prevenções de uso de medicamentos inadequados durante a gestação (evitando assim infecções e doenças durante esse período).
·           Secundária: refere-se a ações que revertam os efeitos e a duração das deficiências, como dietas a crianças que nascem com fenilcetonúria e outras enfermidades, além de tratamentos de saúde e uso de medicamentos apenas quando prescritos por um médico.
·           Terciária: ocorre por meio de ações que limitam as consequências das deficiências já adquiridas e melhoram o nível de funcionamento do indivíduo.

Classificação da deficiência múltipla.Carvalho (2006, p.54) traz a deficiência múltipla
separada pelas seguintes dimensões:
·         física e psíquica:
- associa a deficiência física à deficiência intelectual;
- associa a deficiência física à transtornos mentais.

·         sensorial e psíquica:
- engloba a deficiência auditiva associada à deficiência intelectual;
- a deficiência visual à deficiência intelectual;
- a deficiência auditiva à transtornos mentais;
- perda visual a transtorno mental.

·         sensorial e física:
- associa a deficiência auditiva à deficiência física;
- a deficiência visual à deficiência física.
·         física, psíquica e sensorial:
- traz a deficiência física associada à deficiência visual e à deficiência intelectual;
- a deficiência física associada à deficiência auditiva e à deficiência
intelectual;
- a deficiência física associada à deficiência auditiva e à deficiência visual.

Outros transtornos associados Considerando as Deficiências Múltiplas,
podemos destacar ainda a Deficiência Múltipla Sensorial que, conforme Campos
(2003), engloba:
·         a surdez com deficiência mental leve ou  severa;
·         a surdez com distúrbios neurológicos de  conduta e emocionais;
·         a surdez com deficiência física (leve ou  severa);
·         a baixa visão com deficiência mental leve ou severa;
·         a baixa visão com distúrbios neurológicos emocionais, de linguagem e conduta;
·         a baixa visão com deficiência física (leve ou severa);
·         cegueira com deficiência física (leve ou severa);
·         cegueira com deficiência mental (leve ou severa);
·         cegueira com distúrbios emocionais, neurológicos, conduta e linguagem.

 Recursos específicos para a pessoa com deficiência múltipla

Para suprir a necessidade do aluno com múltiplas deficiências, as escolas
precisam desenvolver um trabalho especializado e adequado a cada necessidade para que ele possa interagir e participar de todas as atividades, levando-se em conta suas limitações, a fim de superar ou minimizar suas dificuldades (GODÓI, 2006, p.12).
Pode-se ser usado também com suporte  recurso PIC – sistema de comunicação pictográfica ou por ideograma e o PCS – sistema de comunicação por símbolos, figuras, letras e números, que pode facilitar a interação dos alunos com deficiência múltipla a se comunicar e interagir com o conteúdo, com colegas e professores.

A surdocegueira

A surdocegueira é uma deficiência única caracterizada pelo prejuízo de dois sentidos, a visão e audição simultaneamente e em graus de perda diferentes. Não se trata de uma pessoa surda que não pode ver e nem de uma cega que não pode ouvir, isto é, a surdocegueira não consiste na somatória das duas deficiências, podendo não haver a perda total dos dois sentidos.
Por ser desprovida de dois sentidos importantes a perda sensorial traz dificuldades para o desenvolvimento da compreensão do ambiente e muitas vezes a pessoa com surdocegueira fica isolada das informações do mundo que a cerca. O surdocego necessita da utilização dos sentidos remanescentes, ou seja, aqueles que estão intactos: o olfato, paladar, tato e aqueles que ainda possuem resíduo: visuais e ou auditivos. Sentidos estes, que lhe trarão informações sobre o ambiente no qual está inserido.
No Brasil, a educação de surdocego existe há cerca de 30 anos, mas só a partir de 1990 houve um impulso devido a apoio de instituições estrangeiras, como a Sense Internacional Latino.
Há hoje no Brasil cerca de 250 pessoas com surdocegueira (fonte: Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e Múltiplo Deficiente Sensorial).

Causas

Alguns indivíduos se tornam surdocegos em decorrência de alguma condição resultante de meningite ou acidente com trauma. Outras condições como a rubéola materna, complicações devido a prematuridade, danos cerebrais, paralisia cerebral, diabetes, síndrome de Usher (degeneração da retina em função de retinose pigmentar), síndromes genéticas e encefalite estão entre as causas freqüentes da surdocegueira.

Classificação
Há duas formas de classificar a pessoa com surdocegueira: o Pré-linguístico e o Pós-lingüístico.

Pré-linguistico: quando a pessoa nasce com a surdocegueira ou a adquire logo quando bebê, antes da aquisição de uma língua.

Pós-linguístico:quando a pessoa adquire a surdocegueira depois da aquisição de uma língua (português ou LIBRAS) ou que já apresentava uma deficiência sensorial seja ela visual ou auditiva e adquire a outra. Pode acontecer também de a pessoa adquirir a surdocegueira sem antes ter apresentado nenhuma deficiência.

Tipos de Surdocegueira

-Cegueira Congênita e Surdez Adquirida
-Cegueira e Surdez Adquirida
-Surdez Congênita e Cegueira Adquirida
-Baixa visão com Surdez Congênita ou Adquirida.
-Cegueira e Surdez Congênita
 Recursos específicos para a pessoa com surdocegueira

Línguas de sinais e intérprete: é o meio de comunicação mais comum utilizado, se a pessoa nasceu surda a primeira língua aprendida é a dos sinais (LIBRAS). Com o campo da visão reduzido o surdocego interpreta os sinais por meio dos movimentos do interprete que por sua vez, faz também um segundo papel: o de guia ou o chamado guia-intéprete, o qual necessita conhecer várias formas de comunicação.
É imprescindível para uma melhor locomoção, que o surdocego passe pelos treinamentos dos Programas de Orientação e Mobilidade (O.M). Treinamentos pelos quais passam pessoas com cegueira congênita ou adquirida, tendo como principal característica o uso da bengala.

Braille: é um recurso utilizado pelas pessoas com cegueira para desenvolver a escrita e a leitura pelo tato. Para tanto são usados recursos materiais como: reglete, punção, máquinas braille  e soroban.

Alfabeto Dacticológico: é o uso do alfabeto manual, em alguns casos, já utilizados pelos surdos. O interlocutor faz a letra na palma da mão da pessoa surdocega. Cada letra corresponde a uma posição dos dedos.

Tablitas de comunicação: é um meio de comunicação feito de plástico resistente com letras em relevo, números ordinários e caracteres em braille. A pessoa com surdocegueira, coloca o dedo indicador nas letras estabelecendo a comunicação.

Diálogo (fala escrita): consiste na utilização de uma máquina braille, máquina de escrever eletrônica, um gravador e uma linha telefônica. O surdocego escreve na máquina e o texto é impresso, assim, o vidente lê e utiliza a mesma forma para escrever e assim está estabelecida a comunicação.

CCTV: é um ampliador de imagens que visa auxiliar a pessoa que tem um resíduo visual muito pobre a ler e escrever, o CCTV amplia em até sessenta vezes o tamanho da figura.

Tellethouch – Este aparelho tem teclado de uma máquina braille e um teclado normal. O teclado braille assim como o teclado normal levantam na parte de trás do aparelho uma pequena chapa de metal, a cela braille, uma letra de cada vez. É um dos principais meios de interação do surdocego com outras pessoas. Ao interlocutor do surdocego basta saber ler. Sabendo ler precionará as teclas normais da tellethouch como se estivesse redigindo um texto escrito qualquer.

Letras de forma: Esta é a forma mais simples de comunicação para a pessoa com surdocegeuira. Neste caso, é preciso que o interlocutor saiba as letras maiúsculas do alfabeto. O dedo indicador funciona como uma caneta e o interlocutor escreve na palma da mão do surdocego.
                                                     
Tadoma: Consiste na vibração da fala do interlocutor. A pessoa surdocega, coloca as mãos na face do interlocutor próxima à boca e sente a vibração da fala. É preciso muito treino e prática da pessoa surdocega para estabelecer comunicação utilizando este método.

Bibliografia

Um comentário:

  1. Parabéns pela atividade, ela nos dá subsídios para diferenciarmos surdocegueira de DMU e ainda nos oferece informações como devemos agir com pessoas que apresentam essas necessidades.
    Devemos respeitar as limitações, mas também devemos valorizar as potencialidades de alunos com essas necessidades para que eles possam desenvolver seu processo de aprendizagem, autonomia e comunicação.
    Valeu!

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