Deficiência
Múltipla e Surdocegueira
A Deficiência Múltipla
A Deficiência Múltipla
refere-se à associação de duas ou mais deficiências, conforme o Decreto nº
5.296, art. 5º (BRASIL, 2004).
A deficiência múltipla é a deficiência auditiva ou a deficiência visual associada
a outras deficiências (mental e/ou física), como também a distúrbios neurológicos,
emocionais, linguagem e desenvolvimento educacional, vocacional, social e
emocional, dificultando a sua autossuficiência.
A caracterização dessa
deficiência se dará de acordo com o nível de desenvolvimento e de alteração de
cada ordem e a necessidade especial condizente dessa pessoa. (GODÓI, 2006,
p.11).
Algumas características
apresentadas por crianças com Deficiência Múltipla, conforme
Nascimento (2006, p.11):
·
dificuldade
na abstração das rotinas diárias, nos gestos ou na comunicação;
·
dificuldades
no reconhecimento de pessoas do seu cotidiano;
·
movimentos
corporais involuntários;
·
respostas
mínimas a estímulos causados por barulhos, toques, entre outros.
Além dessas características, devemos considerar também os fatores, como:
·
movimentos
estereotipados e repetitivos;
·
não
antecipação das atividades;
·
rir e
chorar sem um motivo aparente;
·
resistência
ao contato físico;
·
distúrbios
de sono.
Causas
·
Icterícia
(pele amarelada)
·
Otite
médica crônica (infecção do ouvido)
·
Falta
de oxigênio
·
Sarampo
·
Traumatismos
·
Glaucoma
·
Tumor
cerebral
·
Toxoplasmose
·
Catarata
·
Casamentos
consanguíneos
De acordo com informações da Associação de Prevenção, Atendimento Especializado
e Inclusão da Pessoa com deficiência (2010) cerca de 1% da população brasileira
tem deficiência múltipla.
A prevenção, conforme Carvalho (2000, p.56), está dividida em três
grupos:
·
Primária:
associa-se a programas de combate às doenças (como vacinações),
acidentes, ao uso de drogas e álcool, como também a prevenções de uso
de medicamentos inadequados durante a gestação (evitando assim infecções e doenças
durante esse período).
·
Secundária:
refere-se a ações que revertam os efeitos e a duração das deficiências, como dietas
a crianças que nascem com fenilcetonúria e outras enfermidades, além de tratamentos
de saúde e uso de medicamentos apenas quando prescritos por um médico.
·
Terciária:
ocorre por meio de ações que limitam as consequências das deficiências já adquiridas
e melhoram o nível de funcionamento do indivíduo.
Classificação da deficiência múltipla.Carvalho (2006, p.54) traz a
deficiência múltipla
separada pelas seguintes dimensões:
·
física
e psíquica:
- associa a deficiência física à deficiência intelectual;
- associa a deficiência física à transtornos mentais.
·
sensorial
e psíquica:
- engloba a deficiência auditiva associada à deficiência intelectual;
- a deficiência visual à deficiência intelectual;
- a deficiência auditiva à transtornos mentais;
- perda visual a transtorno mental.
·
sensorial
e física:
- associa a deficiência auditiva à deficiência física;
- a deficiência visual à deficiência física.
·
física,
psíquica e sensorial:
- traz a deficiência física associada à deficiência visual e à
deficiência intelectual;
- a deficiência física associada à deficiência auditiva e à
deficiência
intelectual;
- a deficiência física associada à deficiência auditiva e à
deficiência visual.
Outros transtornos associados Considerando as Deficiências Múltiplas,
podemos destacar ainda a Deficiência Múltipla Sensorial que, conforme
Campos
(2003), engloba:
·
a
surdez com deficiência mental leve ou severa;
·
a
surdez com distúrbios neurológicos de conduta
e emocionais;
·
a
surdez com deficiência física (leve ou severa);
·
a
baixa visão com deficiência mental leve ou severa;
·
a
baixa visão com distúrbios neurológicos emocionais, de linguagem e conduta;
·
a
baixa visão com deficiência física (leve ou severa);
·
cegueira
com deficiência física (leve ou severa);
·
cegueira
com deficiência mental (leve ou severa);
·
cegueira
com distúrbios emocionais, neurológicos, conduta e linguagem.
Para suprir a necessidade do aluno com múltiplas deficiências, as
escolas
precisam desenvolver um trabalho especializado e adequado a cada necessidade
para que ele possa interagir e participar de todas as atividades, levando-se em
conta suas limitações, a fim de superar ou minimizar suas dificuldades (GODÓI,
2006, p.12).
Pode-se ser usado também com suporte recurso PIC – sistema de comunicação
pictográfica ou por ideograma e o PCS – sistema de comunicação por símbolos,
figuras, letras e números, que pode facilitar a interação dos alunos com deficiência
múltipla a se comunicar e interagir com o conteúdo, com colegas e professores.
A surdocegueira
A surdocegueira é uma deficiência única caracterizada pelo prejuízo
de dois sentidos, a visão e audição simultaneamente e em graus de perda
diferentes. Não se trata de uma pessoa surda que não pode ver e nem de uma cega
que não pode ouvir, isto é, a surdocegueira não consiste na somatória das duas
deficiências, podendo não haver a perda total dos dois sentidos.
Por ser desprovida de dois sentidos importantes a perda sensorial
traz dificuldades para o desenvolvimento da compreensão do ambiente e muitas
vezes a pessoa com surdocegueira fica isolada das informações do mundo que a
cerca. O surdocego necessita da utilização dos sentidos remanescentes, ou seja,
aqueles que estão intactos: o olfato, paladar, tato e aqueles que ainda possuem
resíduo: visuais e ou auditivos. Sentidos estes, que lhe trarão informações sobre o ambiente no
qual está inserido.
No Brasil, a educação
de surdocego existe há cerca de 30 anos, mas só a partir de 1990 houve um
impulso devido a apoio de instituições estrangeiras, como a Sense Internacional
Latino.
Há hoje no Brasil cerca
de 250 pessoas com surdocegueira (fonte: Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e
Múltiplo Deficiente Sensorial).
Causas
Alguns indivíduos se tornam
surdocegos em decorrência de alguma condição resultante de meningite ou
acidente com trauma. Outras condições como a rubéola materna, complicações
devido a prematuridade, danos cerebrais, paralisia cerebral, diabetes, síndrome
de Usher (degeneração da retina em função de retinose pigmentar), síndromes
genéticas e encefalite estão entre as causas freqüentes da surdocegueira.
Classificação
Há duas formas de classificar
a pessoa com surdocegueira: o Pré-linguístico e o Pós-lingüístico.
Pré-linguistico: quando a pessoa nasce com a surdocegueira ou a
adquire logo quando bebê, antes da aquisição de uma língua.
Pós-linguístico:quando a pessoa adquire a surdocegueira depois da
aquisição de uma língua (português ou LIBRAS) ou que já apresentava uma
deficiência sensorial seja ela visual ou auditiva e adquire a outra. Pode
acontecer também de a pessoa adquirir a surdocegueira sem antes ter apresentado
nenhuma deficiência.
Tipos de
Surdocegueira
-Cegueira Congênita e Surdez Adquirida
-Cegueira e Surdez Adquirida
-Surdez Congênita e Cegueira Adquirida
-Baixa visão com Surdez Congênita ou Adquirida.
-Cegueira e Surdez Congênita
Línguas de sinais e intérprete: é o meio de comunicação mais comum
utilizado, se a pessoa nasceu surda a primeira língua aprendida é a dos sinais
(LIBRAS). Com o campo da visão reduzido o surdocego interpreta os sinais por
meio dos movimentos do interprete que por sua vez, faz também um segundo papel:
o de guia ou o chamado guia-intéprete, o qual necessita conhecer várias formas
de comunicação.
É imprescindível para uma
melhor locomoção, que o surdocego passe pelos treinamentos dos Programas de
Orientação e Mobilidade (O.M). Treinamentos pelos quais passam pessoas com
cegueira congênita ou adquirida, tendo como principal característica o uso da
bengala.
Braille: é um recurso utilizado pelas pessoas com cegueira para
desenvolver a escrita e a leitura pelo tato. Para tanto são usados recursos
materiais como: reglete, punção, máquinas braille e soroban.
Alfabeto Dacticológico: é o uso do alfabeto manual, em alguns
casos, já utilizados pelos surdos. O interlocutor faz a letra na palma da mão
da pessoa surdocega. Cada letra corresponde a uma posição dos dedos.
Tablitas de comunicação: é um meio de comunicação feito de plástico
resistente com letras em relevo, números ordinários e caracteres em braille. A
pessoa com surdocegueira, coloca o dedo indicador nas letras estabelecendo a
comunicação.
Diálogo (fala escrita): consiste na utilização de uma máquina
braille, máquina de escrever eletrônica, um gravador e uma linha telefônica. O
surdocego escreve na máquina e o texto é impresso, assim, o vidente lê e
utiliza a mesma forma para escrever e assim está estabelecida a comunicação.
CCTV: é um ampliador de imagens que visa auxiliar a pessoa que tem
um resíduo visual muito pobre a ler e escrever, o CCTV amplia em até sessenta
vezes o tamanho da figura.
Tellethouch – Este aparelho tem teclado de uma máquina braille e um
teclado normal. O teclado braille assim como o teclado normal levantam na parte
de trás do aparelho uma pequena chapa de metal, a cela braille, uma letra de
cada vez. É um dos principais meios de interação do surdocego com outras
pessoas. Ao interlocutor do surdocego basta saber ler. Sabendo ler precionará
as teclas normais da tellethouch como se estivesse redigindo um texto escrito
qualquer.
Letras de forma: Esta é a forma mais simples de comunicação para a
pessoa com surdocegeuira. Neste caso, é preciso que o interlocutor saiba as
letras maiúsculas do alfabeto. O dedo indicador funciona como uma caneta e o
interlocutor escreve na palma da mão do surdocego.
Tadoma: Consiste na vibração da fala do interlocutor. A pessoa
surdocega, coloca as mãos na face do interlocutor próxima à boca e sente a
vibração da fala. É preciso muito treino e prática da pessoa surdocega para
estabelecer comunicação utilizando este método.
Bibliografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Surdocegueira.Acesso
em 16/04/2014
http://www.olhosdaalma.com.br/saibamais.php? id=67. Acesso em 17/04/2014.
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